quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

TRÁGICA DERROTA


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Não sei por que te despenhas 
na ravina da indiferença
no barranco do abandono
nas falésias do desprezo
num espartilho de penumbra 
que o tempo dilacera

Comigo viajas sempre
na linha dos sentidos
percorrendo o torvelinho agreste 
que o silêncio me grita

Sinto o desespero gelado
nas mãos vazias 
sempre que agarro o medo
ou faço sucumbir a solidão
mitigando imagens fugidias 
por entre os dedos trémulos

Sinto que me acenas 
do fundo do flagelo
tentando pôr fim a tão trágica derrota

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

BÚZIOS DE SILÊNCIO



Imagem do Google

Nem mesmo no poema 
direi de ti todos os segredos

Mesmo aqueles que ribombam
ecos sem sentido
na transparência da palavra 
cruelmente ofuscada
à mesa de sombrios delírios 
serão búzios de silêncio
pavor e desespero 

Já subi todas as colinas 
serras e montanhas
promontórios e ravinas 
para te dar o Sol de cada dia
na alma que procuravas 

Resta-me triturar nos lábios 
o abandono destes dias 
a dor
o queixume
a fantasia de quem bebeu o rio
verde da quietude
e hoje entardece
no mar do desassossego

Nem mesmo assim
direi de ti todos os segredos